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Cobertura vacinal está abaixo de 60% neste período de pandemia de covid-19

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunização afirmou que o risco é que doenças que estão eliminadas ou controladas possam retornar

Por Agência Brasil, 15/09/2020 às 18:23
atualizado em: 16/09/2020 às 12:06

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

Com o isolamento social e o medo de comparecer aos serviços de saúde durante a pandemia de covid-19, a cobertura vacinal no Brasil neste ano está muito abaixo da meta, com algumas vacinas do calendário básico do Programa Nacional de Imunização (PNI) não atingindo metade do público-alvo esperado.

O alerta foi feito nesta terça-feira (15) pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) durante o lançamento da campanha #CRIE+proteção, para divulgação dos serviços gratuitos dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries).

O presidente da SBIm, Juarez Cunha, apresentou dados do Data SUS referentes a agosto, segundo os quais nenhuma cobertura para crianças até 2 anos atingiu 60% do público-alvo no período. No caso da hepatite B, estava em 45,35%, da poliomielite, em 51,75% na primeira dose e em 45,23% no primeiro reforço. No reforço da tríplice viral estava em 44,34%. Apenas 10% das gestantes tomaram a dTpa no mês passado. Essa vacina protege contra difteria, tétano e coqueluche.

Cunha alertou que a falta de vacina pode trazer complicações importantes para a saúde coletiva, no momento em que se discute a reabertura das escolas e o retorno às aulas presenciais para crianças e adolescentes. “Temos vacinas seguras, eficazes e gratuitas, e o risco é muito grande se continuarmos com cobertura vacinal tão baixa”, disse o médico. Ele enfatizou que os dados são de agosto e são preliminares, mas que os números atuais estão na faixa de 60%, o que é muito baixo.

Segundo Cunha, o risco é que todas essas doenças, que estão eliminadas ou controladas, possam retornar, principalmente com o retorno da mobilidade de toda a população e o retorno às aulas. “É muito importante que todas as crianças estejam com a vacinação em dia”, afirmou.

Ele lembrou que, no ano passado, em nenhuma vacina para crianças de até 2 anos foi atingida a meta, com praticamente todas ficando abaixo dos 85%.

Hesitação

A vice-presidente da SBIm, Isabella Ballalai, ressaltou que, desde 2017, a cobertura vacinal vem caindo, com o aumento do movimento de “hesitação ante a vacina”, o que levou o país ao retorno, por exemplo, do sarampo, com 18 mil casos em 2018, 10 mil em 2019 e de quase 8 mil neste ano.

O médico e divulgador científico Dráuzio Varella, que apresenta a campanha dos Cries, disse que a expectativa de vida no país mais do que dobrou no último século, passando de 35 anos em 1900 para 76 anos atualmente. Varella afirmou que a vacinação é responsável por boa parte desse avanço, ao lado do saneamento básico e das melhores condições de higiene, e condenou veementemente os movimentos contrários à vacinação.

“Você faz o que quiser da sua vida, mas fazer uma propaganda para convencer as pessoas a não levar o filho para vacinar é crime, não tem outra palavra. Você não teve poliomielite porque seus pais o vacinaram. E agora você nega esse recurso para os seus filhos? A gente deveria ter leis muito severas contra esses grupos.”

De acordo com a médica do Crie Martha Lopes, o programa de vacinação brasileiro, criado em 1973, é o maior do mundo e foi responsável pela eliminação da poliomielite no país desde 1994 e da rubéola desde 2015.

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